“Fala, meu amor”: conversas revelam relação próxima entre Alcolumbre e Vorcaro
A assessoria afirmou ainda que o episódio não intimidará o presidente do Congresso e declarou que Alcolumbre pretende buscar, dentro da lei, o esclarecimento das acusações e a responsabilização de quem estiver por trás do que classificou como um ataque à
Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram uma relação de proximidade entre o banqueiro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Entre as conversas, Alcolumbre chama Vorcaro de “meu amor” e afirma ser “seu irmão” para toda a vida. As mensagens foram trocadas em fevereiro e março de 2025, período em que o senador havia sido eleito novamente para a Presidência do Senado.
“MEU AMOR” E “IRMÃO PRA VIDA TODA”
Em 1º de fevereiro de 2025, após a eleição de Alcolumbre para a presidência do Senado, Vorcaro enviou uma mensagem parabenizando o parlamentar e desejando sucesso no novo mandato.
No dia seguinte, Alcolumbre respondeu: “Fala, meu amor”. Na sequência, agradeceu pelo carinho e pela amizade.
Em 30 de março, o senador voltou a escrever para o banqueiro: “Sou seu irmão. Pra vida toda”.
Vorcaro respondeu com emojis de coração e declarou: “A qualquer tempo, pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”, segundo as mensagens divulgadas pela Veja.
Os diálogos vieram a público meses depois de Alcolumbre negar ter recebido dinheiro de Vorcaro. Em junho, o senador contestou uma acusação publicada pela Veja de que o banqueiro teria repassado US$ 30 milhões a ele, valor estimado em cerca de R$ 155 milhões na cotação mencionada na reportagem. A operação teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
FESTAS PRIVADAS COM AUTORIDADES
As mensagens também fazem referência a festas privadas organizadas por Vorcaro e que teriam contado com a participação de autoridades.
Em um grupo de WhatsApp chamado “Macallan”, Vorcaro conversa com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro. Em determinado momento, os dois comentam sobre a presença de mulheres em um dos eventos.
Em outra conversa, Vorcaro encaminha a Alcolumbre informações sobre uma festa e orienta o senador sobre horário e vestimenta: “Me avisem a hora que chegam. Vão cedo. Traje todo preto pra festa”.
As conversas também registram comentários de participantes sobre o comportamento de Alcolumbre durante uma dessas confraternizações.
PREOCUPAÇÃO COM VAZAMENTOS
Em outro trecho, Vorcaro demonstra preocupação com a possibilidade de informações sobre os encontros privados serem divulgadas.
“Estou achando que não vai dar pra fazer off lá, viu. Tô com receio”, escreveu o banqueiro.
Fábio Faria teria sugerido dividir os convidados em grupos para manter a discrição e mencionou Alcolumbre ao propor um acordo sobre o sigilo das informações.
As mensagens, segundo a reportagem da Veja, mostram que os envolvidos discutiam estratégias para restringir a circulação de informações sobre os encontros.
HUGO MOTTA E GABRIEL GALÍPOLO
Outras autoridades são mencionadas nas conversas, entre elas o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Em julho de 2025, durante as discussões sobre a venda do Banco Master para o BRB, Vorcaro relatou a Motta que havia tentado falar com Alcolumbre para obter informações sobre uma reunião do Banco Central.
Segundo a Veja, Motta respondeu que Galípolo iria à casa de Alcolumbre depois do encontro.
“Galípolo ficou de ir lá para casa de Davi quando encerrasse a reunião. Eu tava decolando quando Davi me ligou para dizer isso”, escreveu Motta, de acordo com a reportagem.
ALCOLUMBRE CONTESTA ACUSAÇÕES
Em nota, a assessoria de Davi Alcolumbre classificou a divulgação das mensagens como “mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional”.
Segundo a manifestação, as conversas teriam teor pessoal e envolveriam também mensagens de terceiros, sem indicar ilegalidade.
A assessoria afirmou ainda que o episódio não intimidará o presidente do Congresso e declarou que Alcolumbre pretende buscar, dentro da lei, o esclarecimento das acusações e a responsabilização de quem estiver por trás do que classificou como um ataque à sua honra e trajetória pública.



















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