Morre Gracindo Jr., ator e diretor que marcou a história da TV brasileira
Gracindo Jr. também teve atuação importante atrás das câmeras. Como diretor, comandou produções como a novela “Marron-Glacé” e episódios do humorístico “Os Trapalhões”. Ele também participou da coordenação dos primeiros videoclipes apresentados pelo “Fant
Morreu na noite de terça-feira (1º), no Rio de Janeiro, aos 83 anos, o ator e diretor Gracindo Jr., nome que esteve ligado a diferentes momentos da história da televisão brasileira. A informação foi confirmada ao G1 pelo filho do artista, o também ator Pedro Gracindo. A causa da morte não foi divulgada.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, em maio de 1943, no Rio de Janeiro, Gracindo Jr. era filho de Paulo Gracindo, um dos grandes nomes da dramaturgia nacional. Desde cedo, seguiu o caminho do pai e iniciou a carreira artística ainda adolescente, construindo uma trajetória que passou pelo rádio, teatro, cinema e televisão.
O primeiro contato profissional com o rádio ocorreu em 1959, quando, aos 15 anos, foi aprovado em testes para trabalhar na Rádio Nacional. Na emissora, exerceu diferentes funções, entre elas ator, redator e DJ. Embora tenha iniciado o curso de psicologia, decidiu abandonar a formação para se dedicar integralmente às artes.
Antes de chegar à TV Globo, Gracindo Jr. passou por emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Sua ligação com a Globo começou ainda antes da inauguração oficial da emissora, em abril de 1965. Ele foi contratado em dezembro de 1964 e fez parte do grupo de profissionais que ajudou a construir os primeiros anos da televisão no canal.
A carreira também foi marcada pelo contexto político do país. Militante do Partido Comunista, Gracindo Jr. foi cassado pela ditadura militar em 1964 e ficou impedido de trabalhar no rádio durante aquele período. Mesmo diante das restrições impostas pelo regime, continuou sua trajetória artística e posteriormente se consolidou como ator e diretor.
Na televisão, participou de novelas que se tornaram referências da dramaturgia brasileira, entre elas “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Os Ossos do Barão”, “O Bem-Amado”, “Supermanoela”, “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Explode Coração” e “Celebridade”.
Um dos trabalhos mais marcantes ocorreu em “O Bem-Amado”, quando atuou ao lado do próprio pai, Paulo Gracindo, que interpretava o inesquecível Odorico Paraguaçu. A parceria entre os dois ficou registrada entre os momentos de destaque da novela, uma das produções mais conhecidas da televisão brasileira.
Gracindo Jr. também teve atuação importante atrás das câmeras. Como diretor, comandou produções como a novela “Marron-Glacé” e episódios do humorístico “Os Trapalhões”. Ele também participou da coordenação dos primeiros videoclipes apresentados pelo “Fantástico”, contribuindo para uma fase de transformação da linguagem televisiva.
A notícia da morte provocou manifestações de colegas e amigos. O ator Leonardo Bricio relatou nas redes sociais que estava ao lado da família no momento da morte e prestou homenagem ao artista, destacando a amizade construída entre os dois ao longo dos anos. Eles trabalharam juntos em produções como “Cidadão Brasileiro” e “Rei Davi”, além de terem mantido uma relação de proximidade fora dos estúdios.
Outros atores, como Gabriel Braga Nunes e Alcemar Vieira, também lamentaram a morte de Gracindo Jr. e destacaram sua importância para a dramaturgia brasileira.
O velório será realizado nesta quinta-feira (3), a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro. A cerimônia será aberta ao público. A cremação está prevista para ocorrer no mesmo local, às 14h10.














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