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Acusação falsa contra jornalista compromete e fragiliza investigação de Moraes

Publicada em: 14/08/2026 08:28 -

O deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) elevou o tom das críticas contra o ministro Alexandre de Moraes ao comentar, em vídeo publicado nas redes sociais, a investigação envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo e uma pessoa apontada como sua fonte. Para Dallagnol, a acusação contra o jornalista pode ser falsa e, caso a versão apresentada por Luís Pablo seja confirmada pelas próprias provas reunidas na investigação, vai comprometer e fragilizar a tese utilizada para justificar as medidas determinadas por Moraes.

Deputado Deltan Dallagnol

Dallagnol classificou a situação como uma espécie de “feitiço que virou contra o feiticeiro”. Segundo ele, Moraes autorizou a Polícia Federal a ir até a pessoa que seria fonte de um jornalista, em uma medida que provocou reação de profissionais e entidades de imprensa em todo o país.

“Ontem nós vimos que o ministro Alexandre de Moraes assinou uma decisão para mandar a Polícia Federal bater à porta da pessoa que é uma fonte de um jornalista”, afirmou.

Na avaliação do deputado, o ponto mais grave está no acesso às conversas entre Luís Pablo e sua fonte. Dallagnol destacou que os próprios investigadores teriam identificado nos diálogos uma troca de informações entre jornalista e fonte.

“A polícia lê as conversas entre o jornalista e a fonte, que já está errado. Reconhece por escrito que aquela é uma troca de informação entre jornalista e fonte, que é protegida pela Constituição, não pode ser violada”, disse.

Segundo Dallagnol, a investigação precisaria então encontrar um elemento que transformasse a relação jornalística em indício de crime. Esse elemento, conforme explicou, seria o pagamento de R$ 100 mil.

“E aí precisa de um… para transformar esse jornalismo em crime. E esse… é o pagamento de R$ 100 mil”, declarou.

O deputado apresentou em seguida as duas versões sobre a movimentação financeira. De acordo com a versão atribuída ao jornalista, Luís Pablo precisava de dinheiro para concluir a compra de um imóvel rural de Danilo Cutrim e pediu um empréstimo de R$ 100 mil a Diogo Lima.

“Disse: Diogo Lima, me empresta R$ 100 mil. Só que, em vez de você depositar na minha conta, eu quero esse dinheiro emprestado porque eu estou comprando imóvel. Paga lá para o Danilo Cutrim”, relatou Dallagnol.

O parlamentar afirmou que Diogo Lima teria feito exatamente esse pagamento ao vendedor. A suspeita levantada pela Polícia Federal, segundo Dallagnol, seria de que o dinheiro teria sido utilizado para remunerar o jornalista pelas reportagens publicadas contra Flávio Dino.

Mas existe um ponto que, para Dallagnol, muda completamente a interpretação do caso. Luís Pablo afirma que devolveu integralmente o empréstimo, em duas parcelas, com juros, antes mesmo do início da investigação.

“Eu devolvi esse pagamento. Tempo depois, antes do começo dessa investigação do caso do Flávio Dino, eu devolvi esse pagamento integralmente com juros”, afirmou o deputado, reproduzindo a versão apresentada pelo jornalista.

Dallagnol então questionou diretamente a sustentação da tese investigativa.

“E se isso for verdade, gente, então a teoria da PF e do Moraes cai totalmente por terra”, declarou.

Para o deputado, a existência de uma devolução anterior à investigação pode enfraquecer a interpretação de que o pagamento teria sido uma forma indireta de financiar reportagens contra Dino.

Dallagnol também criticou o que considera uma inversão do foco da investigação. Segundo ele, enquanto a atenção está concentrada na origem do dinheiro e na tentativa de identificar a fonte do jornalista, a pergunta fundamental permanece sem resposta.

“Mas o que ninguém está tratando, e está todo mundo perdido nessa história, é que a questão central é se a reportagem do Luís Pablo é verdadeira ou falsa”, afirmou.

Em seguida, ele apontou diretamente para o conteúdo das denúncias publicadas pelo jornalista.

“Dino usou ou não, em favor da sua família, carros do TJ de forma irregular?”, questionou.

Na avaliação de Dallagnol, essa deveria ser uma das perguntas centrais do caso. Ele afirmou ainda que a decisão pode produzir um efeito de intimidação sobre jornalistas investigativos, especialmente aqueles que trabalham com fontes capazes de revelar informações sensíveis.

“O que essa decisão quer criar é um efeito congelador, um intimidador”, disse.

Dallagnol citou como exemplo a jornalista Malu Gaspar, que publicou reportagens envolvendo o escritório da esposa de Moraes e contratos milionários.

Para o deputado, a possibilidade de o Estado avançar sobre fontes jornalísticas pode fazer com que pessoas deixem de fornecer informações à imprensa por medo de serem identificadas e investigadas.

A conclusão apresentada por Dallagnol é que, se a documentação e as mensagens confirmarem a versão de Luís Pablo sobre o empréstimo e sua posterior quitação, a operação que pretendia encontrar uma ligação financeira entre a fonte e o jornalista pode acabar fortalecendo a própria narrativa apresentada pela defesa.

“Se isso for verdade, a teoria da PF e do Moraes cai totalmente por terra”, reforçou.

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