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Nordeste deixa de ser zona de conforto e preocupa estratégia eleitoral de Lula

Publicada em: 19/04/2026 20:46 -

Historicamente identificado como um dos principais redutos eleitorais do Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, o Nordeste passou a figurar como ponto de atenção na estratégia para a próxima disputa presidencial. Levantamentos recentes indicam uma redução na vantagem do atual presidente na região, além de sinais de desgaste na avaliação do governo, o que acende um alerta dentro da pré-campanha.

Desde meados dos anos 2000, candidatos petistas ao Palácio do Planalto — como o próprio Lula, Dilma Rousseff e Fernando Haddad — registraram desempenhos expressivos entre os eleitores nordestinos, frequentemente superando a marca de 69% dos votos válidos no segundo turno. O ápice ocorreu em 2006, quando Lula atingiu 77% dos votos na região ao enfrentar Geraldo Alckmin, então candidato pelo PSDB.

Na eleição mais recente, Lula venceu Jair Bolsonaro no Nordeste com ampla margem — cerca de 69% contra 30%. Esse desempenho garantiu uma vantagem de milhões de votos, compensando derrotas em outras regiões do país e assegurando a vitória nacional por uma diferença relativamente estreita.

O cenário atual, contudo, apresenta mudanças. Pesquisas apontam uma leve oscilação negativa nas intenções de voto para Lula na região, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em crescimento no mesmo período. Embora as variações estejam dentro da margem de erro, a tendência tem sido acompanhada com cautela por aliados.

Outro fator observado é o aumento da rejeição ao presidente entre os nordestinos. Ainda que o índice permaneça inferior à média nacional, houve crescimento em comparação com dados da última eleição. Paralelamente, a avaliação positiva do governo também recuou desde o início do atual mandato.

Mesmo com agendas frequentes na região e investimentos em obras e projetos, integrantes do partido admitem, nos bastidores, preocupação com o desempenho em centros urbanos maiores, especialmente capitais e cidades de médio porte. Em 2022, por exemplo, Lula perdeu em uma capital nordestina — Maceió — o que reforça a necessidade de atenção a esses colégios eleitorais.

Internamente, há divergências sobre o cenário futuro. Enquanto parte da legenda mantém confiança na recuperação do desempenho eleitoral, outros setores trabalham com a possibilidade de redução da vantagem histórica no Nordeste, o que exigiria compensações em estados estratégicos como São Paulo.

Além das pesquisas, o contexto político regional também traz desafios. Em estados importantes, como Bahia e Ceará, aliados enfrentam disputas acirradas ou cenários indefinidos. Na Bahia, o atual governador disputa espaço com ACM Neto, enquanto no Ceará, Ciro Gomes aparece à frente de nomes ligados ao PT em levantamentos recentes.

As articulações políticas nesses estados envolvem rearranjos de alianças e decisões estratégicas, incluindo desistências de candidaturas e negociações por apoio. No Ceará, por exemplo, o ex-ministro Camilo Santana deixou o cargo para manter-se apto a disputar eleições, enquanto lideranças locais buscam fortalecer a base governista.

Situações semelhantes ocorrem em outras unidades da federação nordestina. No Maranhão, divergências internas fragmentaram o grupo aliado, enquanto em Pernambuco diferentes lideranças disputam o apoio do presidente, evidenciando tensões dentro da própria base.

Diante desse quadro, o desempenho eleitoral no Nordeste, embora ainda relevante para o PT, passa a ser visto com maior cautela, exigindo estratégias mais amplas para manter a competitividade nacional.

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