A ausência da secretária municipal de trânsito e transporte, Manuela Oliveira Fernandes, marcou mais uma vez o debate sobre a crise no transporte coletivo de São Luís. Convocada para prestar esclarecimentos em audiência pública, realizada nesta segunda-feira (13), na Câmara Municipal, a gestora não compareceu — repetindo a postura já registrada anteriormente — e ampliando as críticas sobre falta de transparência diante de um dos problemas mais graves da capital maranhense.
A ausência ganha ainda mais peso pelo contexto: esta é a segunda vez que a secretária é convocada oficialmente e não comparece. Além disso, desde que assumiu a pasta — sendo a sétima titular da secretaria em um cenário de alta rotatividade — o sistema já enfrentou pelo menos duas greves de grande impacto, sem que ela tenha participado diretamente de debates públicos durante as crises.
O sistema de transporte coletivo de São Luís vive um cenário de crise estrutural recorrente, caracterizado por paralisações frequentes, falhas operacionais e forte dependência de subsídios públicos. A situação tem causado transtornos diários à população, afetando principalmente trabalhadores e estudantes que dependem do serviço.
Durante a audiência, proposta pelo vereador Pavão Filho, o tom foi de cobrança. Em discurso, o parlamentar classificou o transporte como “o principal problema da cidade” e criticou duramente a ausência da gestora.
“É inaceitável que este Parlamento não discuta de forma efetiva o principal problema de São Luís. E mais inaceitável ainda é a ausência de quem tem a responsabilidade de gerir o sistema”, afirmou.
O vereador destacou que, conforme a Constituição Federal, a responsabilidade pela organização e fiscalização do transporte coletivo é do município — ou seja, da Prefeitura. Ele também questionou a falta de disposição da secretária em prestar esclarecimentos públicos:
“Quem não deve, não teme. Quando se aceita um cargo público, é dever prestar contas à sociedade”, disse.
Problemas estruturais como frota insuficiente, ônibus em más condições e longas filas nas paradas continuam sendo parte da rotina dos usuários. A insatisfação popular cresce à medida que soluções concretas não são apresentadas.
Entre os participantes está a promotora Lítia Cavalcanti, titular da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor; além de Romeu Aguiar Carvalho, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SET/São Luís); Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (STTREMA).
Mesmo com a presença desses atores, a ausência da principal responsável pela pasta foi o ponto central do debate.
A repetição da falta em momentos críticos reforça críticas sobre a condução da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes e sobre a capacidade de gestão diante de um sistema considerado por parlamentares como um dos mais problemáticos do país.
Enquanto isso, a população segue enfrentando, diariamente, um serviço marcado por ineficiência, insegurança e incerteza.


